29 de maio de 2012

Paraísos artificiais. Mas bem reais...

Quando vi o trailer, me empolguei pelo fato de ser a estréia de Marcos Prado como diretor de ficção (ele, premiado com o documentário Estamira). Depois, ouvi alguns comentários, a maioria deles ruins. Falaram de apelo sexual, de um filme sem propósito e outras coisas. Paguei pra ver.




"Erika (Nathalia Dill) é uma DJ de relativo sucesso e muito amiga de Lara (Lívia de Bueno). Juntas, durante um festival onde Erika trabalhava, elas conheceram Nando (Luca Bianchi) e, juntos, vivem um momento intenso. Entretanto, logo em seguida o trio se separa. Anos depois Erika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam. Só que apenas Erika se lembra do verdadeiro motivo pelo qual eles se afastaram pouco após se conhecerem, anos antes." (Adorocinema)

De antemão, digo que gostei. Mas é aquela coisa... não é um filme popular. É uma narrativa não-linear, com 'vai e vens' no tempo sem muita explicação (mas convenhamos que não é difícil de entender). Me encheu os olhos a montagem no ritmo da batida eletrônica, a fotografia bacana e impecável em diversos momentos... E a falta de diálogos longos. Destaque para a última, que, pra mim, funciona muito bem quando há mais pra se perceber do que pra se entender.

Detalhe: Marcos Prado dando um real de participação, interpretando uns poucos minutos de um pai dedicado e super carinhoso. (Lindo! Haheiuahe!! Adoooro)

Enfim... O que eu tenho visto muito, é que a galera tá mais preguiçosa. Quer o roteiro muito bem explicado, as coisas mais ditas na tela e, principalmente, seguindo os preceitos da moral e dos bons costumes. E daí, que é um filme sobre drogas que não passa no morro, com tiroteios sem fim, perseguição policial e um desfecho completamente educativo? Tem tráfico? Tem! Tem gente pega pela polícia e que é presa? Tem! Tem horas de sofrimento na cadeia, mostrando como pode ser sua vida caso se meta com isso? Não!!! E também não precisa ter.

Isso não quer dizer que o filme faz apologia ao uso de drogas. Não faz! E ai, cabe citar o próprio filme, onde um personagem veterano (interpretado pelo Roney Villela) diz que a droga não cria nada, ela só desperta o que está dentro de cada um, o que cada um quer. E nem sempre o que cada um quer, é o que é bom pra si. O filme simplesmente mostra as coisas como são. Leva pra telona o retrato de como são as raves, as pessoas que frequentam, a música eletrônica e a circulação de uma imensa quantidade de drogas sintéticas. Ah! A questão sexual do filme não me soou apelativo. Diria até que foi bem poético.

Tô defendendo muito? Hehehe...
Mas sou mesmo entusiasta do cinema nacional. Acho que ele deve ousar, sim. Explorar temas diferentes, ter mais filmes estilo "cabeção". E ai sim, acaba com esse estigma criado pelos intelectuais, de que filme nacional é ruim e babaca.

2 comentários:

  1. Adorei a sua análise Licotè!

    Paula

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  2. Curti bastante teu ponto de vista, parei nesse blog por acidente. Mas valeu o tombo ;D. Boa tarde!

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